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Qualidade de Vida no trabalho

Qualidade de Vida no trabalho
Conheça o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho

A valorização do capital humano é uma tendência das organizações para torná-las mais competitivas e lucrativas. Por isso, cada vez mais empresas estão buscando ações e estratégias voltadas à qualidade de vida no trabalho. Além do aspecto ético e responsável deste tipo de ação, muitas pesquisas constataram que empregados saudáveis são sinônimos de maior produtividade. Sem contar na economia de gastos com serviços médicos, tendo em vista que um dos focos dos programas de qualidade de vida é a prevenção.

Porém, antes de implantar qualquer programa ou método de gestão, é necessário saber profundamente quais são as características da situação que se pretende atingir, já que o sucesso do modelo de gestão a ser implantado depende do conhecimento da realidade da empresa.

Boa parte das ferramentas da qualidade disponibilizadas nos últimos anos não se constitui propriamente de inovações conceituais, mas sim do aprimoramento e combinação de conceitos já existentes. Como é o caso do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST).

O engenheiro civil, mestre em tecnologia e gestão da produção pela USP e gerente da unidade de Segurança, Meio Ambiente e Responsabilidade Social do CTE – Centro de Tecnologia Empresarial, Anderson Glauco Benite, acaba de publicar o seu primeiro livro: “Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho” (O Nome da Rosa Editora, 112 páginas). De acordo com Anderson, a publicação aborda os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no trabalho de maneira inovadora, não se tratando apenas de uma simples leitura e tradução dos requisitos das normas OHSAS 18001, BS8800 e ILO OSH, mas sim de uma análise aprofundada de diversos conceitos da área de SST que estão implícitos nas normas e que acabam sendo desconsiderados pelas empresas, resultando em sistemas com baixo desempenho.

Para esclarecer um pouco mais os conceitos do SGSST, Anderson Benite respondeu algumas perguntas feitas pelo Itambé Empresarial, abordando a implantação desse sistema em empresas da construção civil.

Itambé Empresarial – Qual(is) é (são) a diferença entre o SGSST para a gestão tradicional de Segurança e Saúde no Trabalho (SST)?

Anderson Benite – Cada pessoa tem um diferente grau de confiança nas outras pessoas, e usa diferentes princípios e valores para o que é certo ou errado. Para minimizar essas diferenças, a sociedade formaliza as normas de conduta entre as pessoas através das leis.

Tradicionalmente a gestão da segurança (SST) tem como foco o atendimento das leis e a eliminação de eventuais multas e problemas com a fiscalização. Em um SGSST o foco dos trabalhos está nas pessoas e nos perigos aos quais elas estão expostas, ou seja, nas fontes causadoras de acidentes – os acidentes não ocorrem pelo descumprimento de leis, mas pela exposição a perigos sem os devidos controles de segurança.

Outra grande diferença é a abrangência da gestão da segurança na empresa, que tradicionalmente está limitada à área de produção (obra), desconsiderando que muitos acidentes têm sua origem em outras áreas, como por exemplo: quando o depto. de suprimentos adquire um cabo de içamento de carga com resistência inadequada ou quando o depto. de planejamento desconsidera o nível de fadiga física e mental dos trabalhadores nas atividades, e quando os projetos são desenvolvidos sem o estudo de sistemas construtivos mais seguros.

IE – Que benefícios, empresa e trabalhadores podem obter com o SGSST?

Anderson Benite – Posso elencar os principais:

- Redução de acidentes e suas conseqüências

- Melhoria das relações com os trabalhadores, sindicatos e fiscalização

- Melhoria da imagem da empresa frente aos clientes e sociedade

- Melhoria da produtividade decorrente de um ambiente de trabalho seguro e com melhores relacionamentos pessoais

- Redução de passivos trabalhistas

- Possibilidade de se reduzir custos de seguros

- Redução ou eliminação de custos relacionados à insalubridade e periculosidade

- Benefícios financeiros junto a clientes que privilegiam empresas com bom desempenho na área, como o que ocorre nas empresas fornecedoras da Petrobrás.

IE – Os treinamentos estão inclusos neste sistema? Qual a importância de conscientizar os trabalhadores?

Anderson Benite – Nenhum acidente, por mais inadequadas que sejam as condições de trabalho, ocorre sem o concurso do comportamento de alguém que, induzido pela maneira como o trabalho é organizado, por problemas de ordem pessoal ou por quaisquer outros motivos, se expõe a algum perigo.

Os acidentes raramente envolvem violações intencionais ou desejos de causar perdas. Eles geralmente advêm de situações em que as capacidades humanas são inadequadas ou superadas pela necessidade de uma resposta adequada e rápida em uma situação adversa.

Considerando-se o erro humano um dos elementos causadores dos acidentes, pode-se afirmar que, para minimizar a probabilidade de sua ocorrência, deve existir uma sistemática para atuar sobre a forma de pensar e agir das pessoas em todos os níveis hierárquicos da organização.

Assim, a implementação de um SGSST passa obrigatoriamente pela a criação de uma sistemática para garantir que as pessoas tenham as competências necessárias e estejam adequadamente conscientizadas para realizar suas atividades de modo que não afetem adversamente a SST. Pode-se imaginar os perigos existentes quando uma grua ou um elevador de obra é operado por um trabalhador que não esteja capacitado para tal atividade.

IE – Qual a tendência dos SGSST no mundo? O Brasil está muito longe do que acontece no em outros países?

Anderson Benite – Acredito que ocorrerá um crescimento de empresas com sistemas de gestão da segurança implementados, visto que os dirigentes das empresas estão percebendo que apenas a lucratividade não garante mais a sustentabilidade dos seus negócios, muitas empresas têm fechado suas portas não pela falta de lucro, mas sim pelo fato de sua imagem ter sido destruída por acidentes, impactos ambientais e pela falta de ética nos negócios.

Nos países do primeiro mundo os SGSST estão mais difundidos, em especial por fatores de incentivo, dos quais destaco:

- redução de custos relativos a seguros de obra para empresas com sistemas de gestão

- exigência de investidores que querem uma maior segurança em seus empreendimentos;

- exigência dos grandes contratantes de obras.

No Brasil, as duas primeiras formas de incentivo estão caminhando lentamente e poderiam ser incentivadas por ações do governo e dos grandes agentes financeiros, enquanto a terceira está crescendo em ritmo acelerado, em razão das ações desenvolvidas pela Petrobrás e alguns outros grandes contratantes.

Referência:
Créditos: Caroline Veiga




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